O QI das novas gerações está diminuindo

Ciência comprova o que neurocientista brasileiro já havia publicado há mais de uma ano

Ele já sabia. Neurocientista Fabiano de Abreu avisou em 2019 que as crianças possuem taxa de QI inferior aos pais. E apresenta as razões deste número tão preocupante.

O diretor de pesquisa do Instituto Nacional de Saúde da França, neurocientista Michel Desmuget, anunciou nesta sexta-feira, dia 30 de outubro o título de seu livro: “Fábrica de Cretinos Digitais”. Na publicação, ele apresenta provas de que os dispositivos digitais estão afetando seriamente o desenvolvimento intelectual de crianças e adolescentes.

Segundo o pesquisador francês, “simplesmente não há desculpa para o que estamos fazendo com nossos filhos e como estamos colocando em risco seu futuro e desenvolvimento”. As evidências, ele aponta, estão aí, diante de todos: “Já há um tempo que o testes de QI têm apontado que as novas gerações são menos inteligentes que anteriores”. Desmurget acumula vasta publicação científica e já passou por centros de pesquisa renomados como o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e a Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos.

Conforme lembra o pesquisador francês, o QI é medido por um teste padrão. “No entanto, não é um teste ‘estático’, sendo frequentemente revisado. Meus pais não fizeram o mesmo teste que eu, por exemplo, mas um grupo de pessoas pode ser submetido a uma versão antiga do teste.”

Para Desmuget, “o que sabemos com certeza é que, mesmo que o tempo de tela de uma criança não seja o único culpado, isso tem um efeito significativo em seu QI. Vários estudos têm mostrado que quando o uso de televisão ou videogame aumenta, o QI e o desenvolvimento cognitivo diminuem” Além disso, ele acrescenta que “os principais alicerces da nossa inteligência são afetados: linguagem, concentração, memória, cultura (definida como um corpo de conhecimento que nos ajuda a organizar e compreender o mundo). Em última análise, esses impactos levam a uma queda significativa no desempenho acadêmico”.

Neurocientista brasileiro avisou antes.

Por outro lado, se o pesquisador francês anunciou este posicionamento somente agora, um neurocientista brasileiro já estava desde o ano passado alertando a comunidade acadêmica, pais e filhos para esta situação preocupante. Fabiano de Abreu também é neurocientista, além de psicanalista e filósofo, defende a aplicação de testes de inteligência nas escolas portuguesas e brasileiras, para que sejam descobertas e evidenciadas as aptidões, dons e talentos dos alunos desde o ensino básico. “Acredito que deveriam ser aplicados testes de aptidão e inteligência nas escolas, para que esses talentos possam ser identificados e melhor aproveitados para benefício da sociedade”, refere.

“Não estou a dizer que o jovem, após a descoberta da sua aptidão relativa ao intelecto, tenha que exercer as profissões relacionadas com o teste, mas pelo menos terá informação científica sobre as suas facilidades, assim como os seus pais”. Este é um dos conceitos sobre inteligência que refere no livro, aos quais junta outros que, afirma, não devem ser usados como base para que seja derrubado o conceito de QI ou para dizer que uma inteligência sobressai em relação às outras.

“O QI é a lógica e esta é a base de tudo o resto. A pessoa pode ter várias inteligências potencializadas, ou uma ou outra, mas o QI é o que determina um todo. Uma pessoa com alto QI pode determinar aprimoramento das demais inteligências, mas uma pessoa com uma inteligência musical, por exemplo, não pode determinar um alto QI”. 

Outro dos temas em destaque é a Internet e a forma como pode deixar as pessoas “mais burras. A Internet simplificou a busca pela informação; é como se não precisássemos mais de mastigar e apenas engolir. O que aconteceria com os dentes? Cairiam todos. É como o cérebro, que não precisa de pensar e, no fim, acaba por ‘atrofiar’. 

Autor de vários artigos e livros sobre o assunto, o neurocientista Fabiano de Abreu alerta para o sentimento de preguiça que está afetando a humanidade atualmente: “Estamos preguiçosos, pois não queremos pensar mais, já que a Internet nos viciou na busca por informação. Acabamos por ler o conteúdo pelo título e interpretamos como queremos, sem procurar aprofundar a base do conhecimento sobre o assunto. Isso torna-nos donos da razão sem nenhuma razão”, alerta. Portanto, antes do estudo do pesquisador francês, o neurocientista brasileiro já estava alertando para essa situação tão preocupante.

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